Capítulo 03
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Me virei por impulso.
Thomas adentrava o salão carregando uma caixa esmaltada, porte médio. Provavelmente estava pesada, pois ele recebia ajuda de mais três homens. Meu irmão, meu padrinho e meu melhor amigo.
Achei tudo aquilo muito...estranho.
Todos estavam de terno, com o cabelo penteado de lado. Muito formal.. Não combinavam com eles, principalmente com meu irmão.
'' Thomas!'' sibilei, esperando que ele viesse me abraçar.
Imediatamente seus olhos percorreram o salão, com uma anciosidade que me...assustou.
Será que até ele está me ignorando?
Seu olhar era vago, com os olhos fixos no chão.
Resolvi chegar mais perto.
'' Bebê?'' sussurrei, o mais doce que pude.
Ele começou á chorar silenciosamente mantendo os olhos fixos naquela caixa.
'' Thomas'' sibilei, assustada. '' Há alguém lá dentro?'' minha voz saiu horrorizada.
Analisei aquele rosto. Era bem familiar. . Feminino. A pele estava inchada, traços delicados . .
Um caixão?
(...)
Eu?
'' Thomas? Thomas, o que está acontecento, Thomas? '' solucei, minha voz falhou. Engoli em seco.
Andei freneticamente pelo salão.
Meus olhos transbordavam.
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Tudo ficou falhando . . Das pessoas ao som descontrolado de minha respiração. Os dedos de Thomas deslizavam sobre o '' meu rosto '' morto.
(...)
(...)
As estrelas possuíam uma profundidade diferente. Linda.
Me virei para olhar Thomas, deitado ao meu lado. Nem conseguia ouvir o que ele dizia, aos risos, todo empolgadinho. Me concentrava nos seus olhos. Meu bebê
Absorvia cada movimento de sua boca e a forma como ele desviava os olhos.
Que tortura . .
Até que não suportei mais e , apoiando-me encima dele, comecei á mordê-lo, aos risos.
Senti sua mão quente me beliscando.
Soprou aquele sorriso lindo e me beijou rápido.
Assustei-me, não sei dizer o motivo.
Arregalei meus olhos, minha visão estava falha.
(...)
(...)
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Acordei com frio. Abri meus olhos grudados, tirando minusculas nascas de meus cílios.
Me inclinei para que pudesse analisar aonde estava.
Usava gorros, luvas delicadíssimas e muitos agasalhos.
Tudo ao meu redor era branco, puro. Neve?
Levantei atordoada. Thomas vinha em minha direção com um sorriso dengoso, ajeitando seu gorro com cuidado.
Desviei os olhos.
'' Aonde estamos?" sussurrei com doçura. Estremeci com seu abraço de urso.
'' Hm, Everest ?'' respondeu, confuso com a pergunta.
Poderia enchê-lo de perguntas. Mas aproveitar o momento parecia ser mais justo.
Thomas me pegou no colo.
Nos sentamos em um rochedo próximo á nossa barraca.
Permanecemos em silêncio, abraçados, sentindo um ao outro, admirando o gramado distante, muito distante, no final do horizonte.
Senti uma pontada dolorida em meu coração.
Fechei meus olhos, com dor.
'' Por que você fez isso? '' Voz de Thomas.
Hm? Minha consciência?
Fixei meu pensamento naquela voz, fechei os olhos.
Vi flashes do rosto de Thomas. Sentado em um canto. . de seu quarto. Encolhido. Cabeça apoiada em seus joelhos. As luzes estavam apagadas e o barulho de sua respiração estava alto.
Engoli em seco. Como ele estava...lindo.
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